Meu primeiro contato com Sherlock Holmes não foi a partir dessa série. Desde que me entendo por gente, por amar o universo literário eu ouço falar do famoso detetive, mas nunca li uma só história. No entanto, tudo mudou em 2020, em meio à pandemia, quando um dia encontrei minha mãe assistindo uma série. Mal sabia eu o quanto aquela dupla de amigos mudaria minha vida para sempre.
Como comecei assistindo despretensiosamente os episódios exibidos diariamente na TV Brasil nas noites de segunda a sexta, não pude escolher a sequência e por isso Os Cães de Baskerville, o segundo da segunda temporada, foi o primeiro que assisti. Dali fui até o fim da série e apenas quando a emissora reiniciou a exibição assisti a Um estudo em rosa. Isso influenciou bastante na maneira como me identifiquei e me afeiçoei a Sherlock Holmes e John Watson.
Sinopse: Depois que algumas pessoas cometem suicídio tomando uma pílula mortal, o detetive Lestrade, da polícia local, procura o único homem capaz de resolver um caso que, aparentemente, está ligado a um assassino em série. Esse homem é Sherlock Holmes. (Fonte: Google)
Já faz alguns anos que escrever uma postagem sobre a série Sherlock está nas minhas listas de metas para o ano, mas sempre venho adiando e acredito que lendo essa resenha vocês entenderão o motivo. Finalmente estou colocando esse plano em prática, mas pretendo fazer no meu tempo. O impacto desses dois personagens na minha vida foi tão grande que não consigo ver a produção britânica apenas como uma série favorita.
O motivo de eu ter finalmente resolvido escrever essas postagens é que hoje, 02 de abril, é o dia em que compartilhei algo sobre a série pela primeira vez contando que virei fã lá em 2020, então nada mais justo para comemorar esses 6 anos de Sherlock do que escrever a respeito (talvez eu aprenda a fazer bolo para o aniversário do ano que vem. Pegaram a referência? 😎).
Os primeiros minutos de Um estudo em rosa são dolorosos para mim. John Watson, recém-ferido em batalha e dispensado do exército acorda sozinho em seu apartamento depois de um pesadelo num cenário de guerra. Minha vontade é atravessar a tela e dar um abraço demorado nele. A cena seguinte, ele conversa com sua terapeuta e parece bem desanimado com a própria vida, diria até depressivo, e saindo dali encontra Mike Stamford, antigo colega de faculdade que mudará a realidade de John ao apresentá-lo outro amigo seu, Sherlock Holmes.
Acontece que o detetive está procurando alguém para dividir o apartamento que ele encontrou para alugar no centro de Londres, e quando John alega que ninguém gostaria de dividir a moradia com ele (eu quero 🙋), Mike acha engraçado por Sherlock ter dito a mesma coisa para ele. John então é convidado a conhecer seu possível novo colega de apartamento.
Além do desafio que o detetive está enfrentando para descobrir a identidade da pessoa que anda motivando suicídios em Londres, e deixando a Scotland Yard sem saber o que fazer, nesse primeiro episódio os protagonistas encaram o desafio de conhecerem e decidirem se suportam as personalidades um do outro. Foi complicado para John, ele precisou ter muita paciência com a arrogância de Sherlock, mas no desenvolvimento do personagem no decorrer das 4 temporadas conseguimos entender a razão dele agir assim.
Quando eu disse na introdução que a maneira como eu me conectei com os personagens teria sido diferente se eu tivesse assistido os episódios na sequência em que foram lançados, é porque primeiro eu me identifiquei com o detetive, para depois me apaixonar pelo médico. Na segunda temporada, eu conheci um Sherlock que já estava sendo guiado pelo amigo e tudo o que vi foi uma pessoa com inteligência acima da média e poucas habilidades sociais. Nada muito diferente do que eu sou. Me senti compreendida, não por ser tão inteligente quanto ele, mas por me sentir incomodada quando encontro raciocínio menos acelerado do que o meu ou com dificuldade de enxergar o óbvio.
Ao assistir Um estudo em rosa e conhecer o Sherlock antes do John, eu até me identifiquei com algumas habilidades do detetive, como a capacidade dele de visualizar o mapa da cidade na mente, mas jamais teria me conectado tanto com alguém tão grosseiro quanto ele era. A cena no começo do episódio onde ele chicoteia um cadáver, me faria correr dele e não me sentir atraída pelo personagem (Molly assistindo toda interessada é uma das coisas mais bizarras para mim 😂). Essas questões me fizeram olhar para o médico de outra maneira. Se ele tinha tanta paciência com Sherlock e aos poucos conseguiu ajudar o amigo a se tornar uma pessoa mais agradável, era um John o que eu precisava na minha vida.
A partir daí, e com as várias repetições das quatro temporadas pela TV Brasil, fui me identificando e me afeiçoando aquele homem depressivo e muito desiludido que também se sentia deslocado na sociedade e tinha poucas amizades. A dificuldade dele em manter um blog ao acreditar que nada que valesse à pena escrever acontecia em sua vida me pegou de um jeito muito direto. De escritor para escritora, é uma conexão que palavras não seriam capazes de explicar. Ainda havia o trauma de guerra e suas questões psicológicas que me fizeram olhar para as minhas próprias feridas.
Foi nesse ponto que a série passou de favorita a algo com muito mais significado, pois existe uma de mim antes e outra depois de Sherlock. O fato de estarmos vivenciando uma pandemia contribuiu para o impacto ser maior e motivar a publicação de dois livros inspirados na série: Memórias Anônimas e YOLO - Só se vive uma vez, ambos disponíveis gratuitamente no Wattpad: acesse aqui, pois apenas assistir já não estava sendo suficiente, eu queria viver naquela série e se possível curar todo o mal que o mundo e eu mesma havia me causado até então. E funcionou bem demais.
Mas caso não esteja procurando algo tão avassalador, garanto que Um estudo em rosa é um começo à altura da série e dos dois amigos cujas histórias atravessam séculos desde que Arthur Conan Doyle decidiu escrever e publicar. Com deduções inteligentes e bom humor, temos um mistério interessante e até o fim bem difícil de resolver. Os outros personagens que dividem a tela são igualmente bem trabalhados.
Aqui destaco Mycroft Holmes, irmão superprotetor de Sherlock, Sra. Hudson, dona do apartamento alugado pelos amigos, Greg Lestrange, inspetor da Scotland Yard que sempre procura a ajuda do detetive quando tem um caso muito difícil e Molly Hooper, patologista do hospital onde Sherlock faz algumas investigações e muito apaixonada pelo detetive. Todos esses personagens têm um desenvolvimento no decorrer das quatro temporadas e falarei mais sobre eles quando escrever sobre os próximos episódios.
Queria ter todas as temporadas em DVD para não depender de catálogo de streaming, mas só consegui o box com a primeira e segunda temporadas com legendas em inglês numa loja de discos usados. Já olhei o preço das mídias na internet e o preço desanima um pouco. A TV Brasil, onde assisti tudo pela primeira vez, não voltou mais com a série para a sua grade.
Título: A Study in Pink
Direção: Paul McGuigan
Gênero: Drama, mistério,
policial
Classificação: 14 anos
Duração: 88 minutos
País: Reino Unido
Lançamento: 25 de julho de 2010
Trailer: A Study in Pink S1E01 | Inglês (Youtube)
Eu sabia que não conseguiria ser breve ao falar de Sherlock e que focaria mais no que a série significa para mim do que na análise do episódio. Talvez por isso tenha demorado tanto para publicar essa resenha, porque acredito que as pessoas esperam algo diferente ao clicar no título. No entanto, concluí que não importa quanto eu esperasse, o texto ainda seria muito parecido com esse. Talvez nas próximas edições eu fale mais dos episódios, mas o primeiro precisava ser assim. Espero que vocês tenham gostado!










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