Nem acredito que finalmente essas postagens estão saindo da lista de metas e virando realidade. Por muito tempo eu quis escrever sobre a série, mas procrastinava tanto por conta do impacto que ela causou na minha vida quanto por medo de algumas reações meio agressivas de algumas pessoas do fandom que não aceitam uma interpretação diferente da deles. Apenas me afastando um pouco desses dois aspectos consegui começar a escrever. Já falei sobre o primeiro episódio na postagem: Um estudo em rosa e hoje trouxe a resenha de O banqueiro cego.
Sinopse: As mensagens codificadas nas paredes de dois assassinatos levam Sherlock a encontrar uma quadrilha de estelionatários chineses. Quando os bandidos sequestram Watson, seu amigo Holmes tem que salvá-lo. (Fonte: Google)
O episódio começa com um dia comum na vida de Sherlock Holmes (Benedict Cumberbatch) e John Watson (Martin Freeman). Enquanto o primeiro luta com uma pessoa não identificada no 221B da Baker Street, o segundo está em uma tarefa mais trivial e sua batalha é contra uma máquina de autoatendimento do supermercado. Mais uma vez me senti representada por John Watson. Mas a dificuldade dele vai além do problema com a leitora de códigos de barras, pois sua aposentadoria do exército não cobre seu custo de vida no centro de Londres e seu saldo não é suficiente para pagar pela mercadoria.
A questão é que sua ida ao mercado era para comprar alimentos básicos que seu amigo, mais interessado nas investigações do que qualquer outra coisa, ignora a necessidade. Isso só aumenta a raiva de John que, ao chegar em casa e ser questionado por estar de mãos vazias, acredita que Sherlock passou a manhã inteira sentado confortavelmente em sua poltrona lendo um livro. O detetive diz para o amigo pegar seu cartão de crédito e voltar ao mercado, e essa é a única ajuda que ele oferece.
É nesse clima que o episódio começa. Soo Lin Yao (Gemma Chan), uma especialista em cerâmica chinesa no Museu Nacional de Antiguidades vê algo que a deixa muito assustada e desaparece. Enquanto isso, Sherlock recebe o pedido de ajuda de Sebastian Wilkes (Bertie Carvel), um antigo colega de universidade, que trabalha com gerenciamento financeiro internacional e teve o escritório invadido e pichado com símbolos que ninguém ali consegue decifrar. Sherlock consegue rapidamente descobrir para quem foi a mensagem e, ao visitar o apartamento do negociador, descobre que ele está morto e a polícia considera o caso como suicídio. O detetive consultor, no entanto, pensa diferente e pretende ir a fundo com sua investigação até provar que tem razão.
Apesar de Sebastian ter oferecido uma grande quantia em dinheiro para Sherlock descobrir quem e como seu escritório foi invadido, o que o detetive recusa, mas o amigo aceita. John, no entanto, não quer ser dependente dele e procura um emprego que possa conciliar com a rotina de investigação. A recrutadora, Sarah Sawyer (Zoe Telford) considera o currículo dele muito superior ao cargo oferecido, mas John insiste que precisa da vaga e acaba sendo contratado.
Nesse segundo episódio começamos a conhecer mais da personalidade de Sherlock e John. A amizade ainda está se desenvolvendo e os problemas de convivência começam a aparecer, como a irritação crescente de John pelas atitudes de Sherlock que vão desde usar seu laptop protegido por senha sem autorização, até ignorar o problema com a justiça que segurar uma lata de tinta spray numa conversa durante a investigação trouxe para ele. Enquanto conversam com um pichador atrás do museu, a polícia chega e pega John não só segurando uma das latas em frente a pichação como uma bolsa cheia delas a seus pés. Sherlock e o rapaz saem correndo e o deixam sozinho tentando se explicar. Esse inclusive é o primeiro momento vergonha alheia que eu sinto no episódio. Muito trouxa meu pobre John… 😔
Outro momento que senti vergonha por ele foi ser pego dormindo dentro do consultório depois de uma noite inteira acordado investigando com Sherlock. Só não senti pena dele porque o bonito aproveitou a oportunidade para flertar com Sarah que não só o ajudou a sair dessa situação sem perder o emprego como aceitou o convite para o encontro. Fiquei feliz quando Sherlock apareceu para atrapalhar o date principalmente pelas intenções de John com a mulher. Sarah demonstra ter realmente gostado dele, e até lida bem com tudo o que aconteceu com ela nesse episódio, mas não tem intenção de facilitar para o crush. Gostei! 😌
A personalidade de Sherlock também é explorada nesse episódio e, apesar de ainda sentir certa raiva por conta de alguns comportamentos da mesma maneira que John, começamos a entender por que ele ficou dessa maneira. A primeira dica está em seu encontro com Sebastian, que faz questão de deixar claro como Sherlock era o esquisito da universidade e como todos o evitavam. Pode parecer algo bobo, mas quem passou por isso durante a vida escolar, principalmente se forem repetidas vezes, sabe como dói. A resposta de Sherlock se blindando e evitando amizades revela o quanto isso o afetou.
O detetive aprendeu a não contar com ninguém e a assistência de John gera momentos de estresse quando Sherlock entra em ação e deixa o amigo trancado do lado de fora por duas vezes. Ele ainda não está acostumado a ter ajuda e John fica tão irritado que grita para reclamar da situação o que acaba por coloca-lo em perigo de uma forma inesperada. Apesar de toda raiva, John não desiste de participar da investigação e ele faz grandes avanços deixando Sherlock desconcertado em alguns momentos por não estar acostumado. É bonito ver a amizade dos dois se desenvolvendo aos poucos.
No entanto, tudo o que Sherlock sofreu não justifica a maneira como ele trata Molly Hooper (Louise Brealey) para conseguir acesso ao que quer dentro do necrotério do hospital. Ele se aproveita dos sentimentos dela por ele e a manipula para conseguir o que quer. Sherlock não faz isso de maneira inconsciente, mas de propósito e demonstra pela sua expressão facial assim que consegue o que quer. Fico feliz pela evolução que o personagem teve no decorrer da série.
Para quem não está muito interessado nos personagens, mas sim no mistério, é maravilhoso acompanhar o detetive e seu mais novo ajudante desvendando um caso que parece impossível. As vítimas são encontradas em locais fechados que levam a polícia a classificar as mortes como suicídio, mas Sherlock desde o começo não concorda. A forma como ele deduz que a primeira vítima é canhota para justificar seu ponto de vista me fez passar a olhar as coisas ao meu redor e imaginar se o detetive conseguiria deduzir o mesmo sobre mim (às vezes suspeito que eu sou uma ambidestra destreinada). Juntando todos os fatos e montando sua linha de raciocínio, vemos Sherlock demonstrando com tranquilidade do que é capaz.
Esse episódio tem uma cena que me deixou pensativa. Martin Freeman interpretou Arthur Dent em uma adaptação de O Guia do Mochileiro das Galáxias (ler resenha) e em certo momento do episódio o número 42 aparece em destaque sem qualquer motivação específica. Será que foi uma referência ou estou imaginando coisas?
Título:
The Blind Banker
Direção:
Euros Lyn
Gênero:
Drama, mistério, policial
Classificação:
14 anos
Duração:
88 minutos
País:
Reino Unido
Lançamento:
01 de agosto de 2010
Trailer:
The Blind Banker S1E02 | Inglês (YouTube)
Acho que isso é tudo o que tenho para falar desse episódio sem dar muitos spoilers e estragar a experiência de quem ainda não assistiu. Ele não é um dos meus favoritos e não consigo evitar sentir ciúmes com a atitude de Don Juan de John, mas tem lugar garantido no meu coração. A jornada da dupla de amigos está bem no começo e estou amando acompanhar tudo de novo com mais atenção aos detalhes.
Quem gosta de fanfics, fica a dica: escrevi várias delas inspiradas na série e publiquei no Wattpad! Estão todas completas e disponíveis gratuitamente! 😉 Acesse: aqui









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